1 pontos por GN⁺ 2024-02-04 | 2 comentários | Compartilhar no WhatsApp

Uso de estratégias de design para dificultar a escolha de navegadores

  • Para que as pessoas possam escolher seu navegador, é preciso que o download seja livre, a configuração como padrão seja fácil e o uso contínuo seja possível sem interferência do sistema operacional.
  • Atualmente, os usuários do Windows não desfrutam dessa liberdade de escolha.
  • Para investigar as estratégias da Microsoft e seu impacto sobre os consumidores, a Mozilla contratou Harry Brignull e Cennydd Bowles, pesquisadores independentes e especialistas em design prejudicial.
  • Os pesquisadores publicaram um relatório sobre como a Microsoft, no Windows, dificulta a escolha efetiva de navegadores.
  • O relatório documenta como a Microsoft coloca seu próprio navegador, o Edge, no centro do sistema operacional e instrumentaliza o design da interface do Windows para prejudicar a escolha de navegadores concorrentes.

Prejuízo à concorrência e dano ao consumidor

  • O uso de estratégias de design prejudicial, em alguns casos, contraria até mesmo as próprias diretrizes de design da Microsoft.
  • Essas estratégias podem causar ou agravar danos ao consumidor e prejudicar a concorrência de navegadores concorrentes.
  • Navegadores independentes como o Firefox dependem de fornecedores de sistemas operacionais que também são concorrentes, o que torna esse tipo de conduta especialmente preocupante.

Regulação e mudanças de mercado

  • A auto-preferência por parte de fornecedores de sistema operacional/navegador é uma área que a Mozilla já havia destacado anteriormente.
  • Recentemente, a Mozilla publicou no Platform Tilt Dashboard muitos dos problemas que enfrenta para competir nos principais sistemas operacionais.
  • A implementação da Lei de Mercados Digitais na União Europeia deu início a uma onda global de regulação da concorrência, mas as barreiras à competição entre navegadores ainda não foram desmontadas.
  • Melhorias só estão ocorrendo nos mercados em que reguladores obrigaram os donos de plataformas a respeitar a escolha de navegador.
  • Por exemplo, a decisão da Apple de permitir mecanismos de navegador alternativos só é efetiva na União Europeia.
  • A Microsoft prometeu recentemente interromper alguns comportamentos que forçam o Edge a usuários que escolheram outros navegadores, mas essas mudanças cobrem apenas uma pequena parte das estratégias descritas no relatório.
  • Além disso, essas mudanças serão disponibilizadas apenas para usuários do Espaço Econômico Europeu.
  • Usuários do Windows no mundo todo, especialmente fora do Espaço Econômico Europeu, continuam tendo sua escolha limitada, ignorada e prejudicada pelos designs nocivos usados pela Microsoft.
  • São necessárias ações regulatórias globais para restaurar a escolha de navegador e a concorrência em todas as principais plataformas.

Opinião do GN⁺

  • Este relatório destaca o problema de fornecedores de sistemas operacionais manipularem o design para favorecer seus próprios navegadores, o que tem impacto significativo sobre a liberdade de escolha do consumidor e a concorrência no mercado.
  • Medidas regulatórias como a Lei de Mercados Digitais da União Europeia precisam se expandir globalmente, pois isso é importante para criar um ambiente de concorrência justa na indústria de tecnologia.
  • Garantir a livre escolha de navegador pelos usuários é um dos princípios fundamentais da web aberta, e isso pode promover inovação e diversidade.

2 comentários

 
ndrgrd 2024-02-04

Se você precisa de IA, pode abrir um programa separado ou uma página da web; então por que essa insistência em enfiar isso em pacotes?

 
GN⁺ 2024-02-04
Comentários do Hacker News
  • Usei o Microsoft Edge para ver se o "modo de eficiência" realmente faz uma diferença perceptível na duração da bateria do notebook. Ele foi dificultado a ponto de ser complicado usá-lo como um navegador que respeita a privacidade, e é preciso mudar muitas configurações ativadas por padrão. A escolha do mecanismo de busca fica escondida em "pesquisa na barra de endereço" nas configurações e, mesmo depois da mudança, não dá para alterar a página de nova guia que pesquisa com Bing/Copilot. O Edge é configurado para enviar informações de busca à Microsoft independentemente do mecanismo escolhido pelo usuário, e a opção para desligar isso também vem ativada por padrão. Mesmo depois de ajustar tudo como eu queria, a Microsoft ainda exibe prompts após atualizações incentivando a restaurar o Bing como busca padrão.
  • O Windows está ficando cada vez mais estranho. Existe uma dualidade infeliz entre um núcleo de SO sólido com ótimos recursos e uma interface lenta e inconsistente, cheia de anúncios, pontos de "recompensa" e rastreamento.
  • No macOS, é possível fazer um "clique forte" (clique prolongado) em um texto selecionado em qualquer aplicativo para abrir um balão com pesquisa na web para aquela expressão, mas a busca só é executada pelo Safari. Tentei fazer esse atalho útil abrir no Firefox, mas acabei desistindo. A Apple enterrou essa decisão tão profundamente no sistema que mudar isso para o navegador padrão é praticamente impossível.
  • É impressionante que a Microsoft ainda não tenha parado com esse tipo de prática mesmo depois de perder na Justiça, décadas atrás, por estratégias monopolistas. Parece que os reguladores não estão fazendo seu trabalho.
  • Bom ver que a Mozilla encomendou este relatório. Ele traz uma confirmação interessante de que aquilo que sempre imaginamos realmente está acontecendo. Devemos incentivar a produção de mais relatórios desse tipo.
  • Link para uma discussão relacionada da semana anterior: "A Microsoft roubou minhas abas do Chrome e quer as suas também."
  • Dá a sensação de que a Mozilla está se preparando para uma espécie de Microsoft vs. Netscape, segunda rodada, ou algum tipo de processo antitruste.
  • Tive que instalar o Google Chrome no Mac para trabalho e continuava recebendo notificações para usá-lo como navegador padrão em vez do Firefox. Foi irritante porque não havia botão de "não perguntar novamente".
  • Link para uma palestra de Evan Czaplicki explicando a importância financeira dos navegadores. Isso ajuda a entender por que a Microsoft e a Apple agem assim.
  • Se for preciso usar Windows, a recomendação é usar o Windows 10 LTSC, que não tem busca na barra de tarefas falando com a internet nem recursos que forçam o uso do Edge. Mesmo assim, descobri recentemente que o Edge estava rodando em segundo plano.